No dia 31 de outubro de 1517, um homem chamado Martinho Lutero fixou à porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, documentos que tinham um único objetivo: fazer com que a vida da Igreja de Cristo fosse fiel às escrituras.

Esse dia marcou o que hoje lembramos como um dos maiores avivamentos da história da Igreja, justamente por mover o povo cristão à uma retomada ao evangelho autêntico e de acesso a todos. Até hoje, 500 anos mais tarde, bebemos desta fonte tão rica em vida e Palavra de Cristo, iniciada por Lutero

Mas há um detalhe que as vezes passa despercebido nessa história.

Chamamos os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas de Sinóptipos. Esse termo serve para mostrar que todos eles descrevem os acontecimentos ali relatados sob a mesma perspectiva. Já no evangelho de João, vemos os fatos sob um outro “ângulo de visão”. É como se João estivesse descrevendo outro lado do triângulo, que apesar da diferente perspectiva, continua sendo o mesmo triângulo. Apesar dessa ótica alternativa, há claramente uma sinergia entre os quatros livros, os quais nos levam a uma descrição perfeita daquilo que Deus quis dizer à sua Igreja.

Da mesma forma, muito poderíamos falar a respeito dos acontecimentos históricos da Reforma, ou até mesmo dos milagres operados pelo Espírito Santo à época. Mas hoje, junto com vocês, gostaria de meditar a respeito do “outro ângulo de visão”.

John Wycliffe, que viveu cerca de um século antes de Lutero, colocou sua vida em risco para que a bíblia fosse traduzida para o Inglês e, consequentemente, que o maior número de pessoas pudessem ter acesso às escrituras.

Influenciado por Wycliffe, um homem chamado João Huss lutou contra as práticas equivocadas de sua instituição local. Ele morrera na fogueira ecoando o cântico: “Cristo, tem misericórdia de mim”

19 anos antes de Lutero, em 1498, o italiano Jerônimo Savonarola foi queimado vivo em praça pública em Florença, na Itália. Motivo da sua condenação? Pregar o evangelho em sua forma genuína.

Essa outra ótica da história da reforma a que me refiro, nos mostra uma face muitas vezes oculta nesse processo: a importância do Corpo de Cristo.

A Bíblia nos ensina que cada um de nós possui um papel dentro do Corpo:

“Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.”

Efésios 2:10

E também, que sem partes do corpo a Igreja simplesmente seria incompleta.

Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

Efésios 4:16

É importante entendermos que a “reforma” não teve início em 1517, e tampouco foi iniciada por Lutero. Ela foi um processo de longos anos, orquestrado pelo Espírito Santo para a Glória de Deus. Ela foi sendo moldada dia após dia por homens que deixavam seu coração ser ministrado por Deus. Perdemos as contas de quantas pessoas foram fundamentais para que esse movimento pudesse alcançar o status que alcançou.

Um jovem Martinho Lutero foi profundamente tocado por esse mesmo Espírito que conduziu Wycliffe, Huss e Savonarola.

Pela inspiração desses homens, Lutero seguiu o legado de seus pais espirituais e colocou mais um tijolo na construção chamada Igreja de Cristo. Uma Igreja que caminha a passos largos para ser sem mácula e nem ruga, mas santa e irrepreensível! Uma Igreja que derrama o sangue pela Verdade. Jesus não é uma verdade, Jesus é a Verdade! A centralidade de Cristo, por mais de 2000 anos têm sido atacada, deturpada e ferida. Mas nunca abalada.

Meu irmão, você tem um chamado. Há pessoas que somente você poderá alcançar. Você pode não perceber, mas diariamente as suas atitudes executam influência em alguém. Um simples sorriso, uma mensagem, ou até mesmo um compartilhar no Instagram, isso pode mudar uma pessoa.

Que a nossa vida reflita o amor de Cristo, começando pelas pequenas coisas, e se Deus permitir, até os grandes feitos.


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